31 Janeiro 2006



Quem são meus amigos?


Meus amigos têm olhos que brilham
quando vêem os dois pequenos sóis em que
se transformam os meus olhos, quando eu os encontro.

Meus amigos têm mãos que apertam, afagam e tocam;
braços que se estendem amplamente
para receber o meu abraço.

Meus amigos não são ingênuos, tolos ou imprudentes.
São apenas desarmados, não ocultam sentimentos nem
se calam quando falar é a necessária e adequada ação.

Meus amigos, quando se expressam, esquecem
a retórica impecável e até mesmo o correto português
porque as vêzes, o coração precisa de manifestações
acima do vernáculo, mas repletas de significativas
e barulhentas interjeições.

Meus amigos sacam à distância o que para mim é sagrado,
as vêzes brigam comigo e eu com eles, mas quando
merecidamente
me botam "na lona" por uma besteira
que eu tenha feito, não desferem nem mais um golpe,
de tal sorte que eu possa refazer-me e novamente
juntar as mãos para aplaudí-los.

Meus amigos não são apenas impulsos elétricos.
Eles conhecem meu endereço e, muitas vezes,
devido à distância, perdemos um "face a face",
mas nos abraçamos através de um monitor
ou de um amoroso telefonema.

Afinal, quem são meus amigos?
São pessoas plenas de amor, como eu.
Alguns sem raça definida,
outros têm brasões, outros são quatrocentões,
outros parecem com lordes ingleses,
outros carregam complicados sobrenomes alemães,
mas há uma marca em comum:
todos sabem dar-me transparente e sincera afeição.

Haja o que houver, meus amigos jamais me deixam na mão!

© Fátima Irene Pinto

http://www.fatimairene.com/



MOTIVOS


"Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta."

(Motivo - Cecília Meireles)



E ainda resta uma palavra,
uma única palavra em meio a tantas que dissemos,
nas juras que trocamos de fidelidade, eternidade.
Onde estão as palavras que compunham nosso soneto de amor?
Onde perdemos a poesia e nos atrapalhamos com as palavras?

Do amor que eu te dediquei, tenho ainda o gosto,
do poema que me declamaste, entre beijos e chuva,
entre lua e sorvetes, passeios e baladas,
restam fragmentos que não se soltam,
me sinto um bloco em pedaços, decomposto,
palavra sem acento, rima incompleta,
pronome indefinido solto pela frase,
frase que não termina,
amor que não se acaba.

Já que somos parte de um romance,
vem terminar, vem colocar um fim,
não some assim não, meu coração não entende,
poesia incompleta, rima perdida,
abandono...

E, se não puder ter um final feliz,
que deixe pelo menos no ar,
o mistério dos romances inacabados,
onde o amor vira lenda,
história que o povo conta e encanta.

Se não formos eternos, seremos conto,
encanto de quem canta uma história de amor,
e amor é poesia que rima com vida,
vida que te dedico nessas palavras,
e quem sabe, sonhar meus sonhos,
nesse poema chamado: você!

(Paulo Roberto Gaefke)

30 Janeiro 2006



Meu Homem


Meu homem tem mãos firmes e carícias leves, quando larga fina energia no pente de seus dedos nobres, toque rude em meus cabelos lisos de uma orientalidade que não me cabe.
Meu homem tem nos ombros largos, a generosidade inconsciente dos fortes, mesmo que me reserve e ao mundo,apenas a maciez do prazer.
Meu homem tem olhos súplices de criança perplexa, diante do meu choro de quem nunca adormece em paz, por praga do destino, indecisão ou herança de sangue.
Meu homem, tem o mandato dos deuses, compromisso de todas as épocas e raças, enquanto eu adormeço no seu ombro, nuvem macia e cálida.
Meu homem tem a atitude do sábio que acalanta o que presume não entender, mas bem que poderia ser o que entendo... e que o futuro nos reserve... Amém..
Meu homem é rude como um caçador, no escuro mistério do meu continente trópico em que se perdendo na amplidão do corpo feminino, penetra mata tropical.
Meu homem é afinado como o uivo do leão desbravante cego de dor, em busca de saciedade. Mas consegue manter a atitude do pai que acalanta, que não entende, mas bem que queria... o que não sabemos dizer.
Meu homem adormece no meu colo, vão dos peitos, como filho amamentado que sai de mim e espaira a doutrina da terra fertilizável antes do fruto, nutriente da semente.
Meu homem passeia os lábios sobre o bico dos meus seios, preparando o leite dos filhos do homem para me sonhar mulher... para me deter.
Meu homem adormece no meu seio, largado e alado como o filho consolado.Seus olhos são profundos, não me importa se de negrume ou mar, seus olhos me iludem, porque assim quero o que deve ser...
Seu olhar resiste ao medo do segredo que eu quero contar. O segredo que ele quer conhecer, mas não pode.
Meu homem me faz sentir a intensidade de se viver para hoje, porque enche o presente de sonhos do amanhã. Faz da mina vida história de espécie e gênero, tesouro de memórias atávicas.
Meu homem tem a plasticidade da argila em moto contínuo, processando-se em esculturas titânicas e angélicas na pantomima do sexo, lavoura do amor.
Meu homem foge do que quer dizer: mutante quando faz amor, seus olhos são tão brilhantes e ausentes quanto a janela da minha vontade.
Mosaicos de se montar a civilidade, meu homem tem seus brinquedos, sérios jogos de teatralização do eterno retorno ao ventre da mulher .
Meu homem sacia-se para que o alimento de mim, esteja em terra fertilizada que gera o fruto do futuro.
Meu homem carrega-me nos braços, como se me emprestasse asas de sonhar, para deitar seu peso sobre mim... e gozar.
Meu homem eriça meus pelos, pele e mamilos para que túrgidos apontem para o horizonte, futuro de uma humanidade que busca no branco a composição colorida da paz.
Meu homem confunde azul marinho com preto e veste meias trocadas... sempre!... Mas meu homem sabe perceber ao longe, todos os matizes dos meus desejos, boca entreaberta e vermelha, sedenta de beijos. Meu amor usa camisas azuis porque se parecem com brancas e seus desejos sonâmbulos deixam-se ir na jornada da dor de flores ceifadas.... Ele padece em curtos circuitos.
Meu homem não vê meu olhar perdido nas constelações, mas percebe de pronto, o ponto do horizonte em que nossos sonhos se encontram.
Meu homem tem a pressa do querer imediato e nos desencontramos no chuveiro ao acordar... enquanto sinto seu gosto de maçã de feriado.
Meu homem, meu anjo, meu amor, tem por mim um amor marginal ainda que permitido e que será para todo o sempre, nosso bem, nosso mal, nossa vontade de sobreviver no destino do mar de ondas fortes, onde nossa carne vence a braçadas largas, nadando contra o medo e o sufoco da sobrevida.
Meu homem adormece cansado no meu colo e eleva-se em sustenido, menino sonhando ser homem.

® Elane Tomich
14/04/2002

http://www.elanetomich.com.br/menu.htm

OBS: Nesta matéria a escritora Elane Tomich dá uma aula de como seria o homem ideal para ela. Vejam se concordam. ZC



35 anos para ser feliz


Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca.

Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e aide quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

© Martha Medeiros

(Presente da Shimey)

29 Janeiro 2006



Observe a natureza


O rio passa, segue seu caminho, mas não deixa de alimentar nenhum dos que estão em seu curso. Assim, você pode seguir a sua vida e não deixar de atender os mais necessitados, ou acolher aquele amigo que precisa de uma palavra amiga, sem deixar-se envolver na história, acabando assim, assumindo parte da dor que não lhe pertence.

O mar, com todo o seu poder, se abaixa humildemente para receber as águas dos rios, e assim, garante a sua força com gestos delicados, pois se usasse a força, com certeza desapareceria. Assim, você também deve aprender a conquistar pela humildade, sendo forte sim, mas delicado o suficiente para que as pessoas façam o que você pede pelo respeito conquistado, não pelo medo da sua imposição.

O vento que refresca a sua tarde, pode se transformar em um furacão gigantesco e varrer uma cidade inteira, ainda assim, passa silenciosamente todos os dias pelo mundo, espalhando sementes que vão alimentar o planeta. Assim como o vento, por onde você passar leve apenas o seu melhor, deixe boas sementes, deixe saudades, seja gentil.

A árvore é a grande companheira do homem, mas pouco valorizada, as vezes destruída cruelmente em troca de espaço para o gado, para uma roça maior, ou simplesmente para a construção de um condomínio ou casa luxuosa. Mesmo assim, continua suprindo o mundo com oxigênio, filtrando o gás carbônico, oferecendo sombra nos dias quentes, flores, frutos, sementes que viram óleo, madeira que vira mesa, cama e até seu caixão.

Por isso, seja como a árvore, serve sempre. Não deixe a revolta tomar conta da sua alma. A revolta é um câncer que corrói o que temos de melhor; a esperança.

Por fim, se a dor te visitar, antes de cair na facilidade da reclamação, antes de se deixar levar pelo fato de ser sempre a vítima, pare e observe a plantação lá fora. Observe o agricultor semeando o dia inteiro.

O que plantou algodão já faz as contas da safra de algodão. O que plantou milho, já sabe quantas espigas esperar. E, mesmo que perca toda a produção, não vai encontrar jamais um fruto diferente do que plantou. Assim, pare e pense no que você tem plantado, quais sãos os frutos que estão no seu cesto?

Quem semeia amor não vai colher outro fruto senão o mesmo amor.

© Paulo Roberto Gaefke

(Presente da Áurea Manchini)

28 Janeiro 2006



TREM DA VIDA


Há algum tempo atrás li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura extremamente interessante quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros. Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais. Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível... mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.

Chegam nossos irmãos, amigos, e amores maravilhosos. Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio, outros encontrarão nessa viagem somente tristezas, ainda outros circularão pelo trem prontos a ajudar quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe. Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede é claro, que durante ele, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles.... só que infelizmente jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar. Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas..... porém, jamais, retornos.

Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento do trajeto eles poderão fraquejar e provavelmente precisaremos entender isso, porque nós também fraquejaremos muitas vezes e com certeza haverá alguém que nos entenderá. O grande mistério, afinal,é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que estásentado ao nosso lado.

Eu fico pensando, se, quando descer desse trem, sentirei saudades.... acredito que sim, me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que em algum momento estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram..... e o que vai me deixar feliz será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio, traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

© Silvana Duboc

http://www.silvanaduboc.us/



QUANDO O CORPO FALA


"É difícil perdoar, mas que faz bem
à saúde, não tenho a menor dúvida.
Quanto mais leve a alma, mais forte
o organismo. Por que não tentar?"

NUNCA TINHA ESCUTADO O NOME DE Louise L. Hay, que, pelo que eu soube, é uma psicóloga americana com vários livros publicados e traduzidos para diversos idiomas, inclusive para o português. Me parece que é auto-ajuda, a julgar pelos títulos: "Como curar sua vida" e coisas do gênero. Ora, não existe fórmula mágica para nada. Fosse fácil assim, seríamos todos belos, ricos, bem-casados, desenvoltos, empreendedores, bambambãs em tudo. Mas um dos temas que ela trata é bastante interessante e já inspirou vários bate-papos entre amigos. Ela diz que todas as doenças que temos são criadas por nós. Menos, Louise. Como assim, "criadas"? Quem tem o vírus HIV sabe muito bem como o adquiriu, e não foi por força da mente.

Porém, se não levarmos tudo o que ela diz ao pé da letra, se abstrairmos certos exageros, vamos chegar a um senso comum: nós realmente facilitamos certas invasões ao nosso corpo. É o que se chama somatizar, ou seja, é quando uma dor psíquica pode se manifestar fisicamente. Às vezes, acontece, sim.

"Todas as doenças têm origem num estado de não-perdão", diz a psicóloga. "Sempre que estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar." Mais uma vez, o exagero, já que "sempre" é um amontoado de tempo que não sustenta nenhuma teoria. Mas ela insiste: "Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento".

Pois é, o perdão. Outro dia estava lendo um verso de uma poeta que já citei em outra oportunidade, a Vera Americano, em que ela diz: "Perdão/duro rito/da remoção do estorvo". É difícil perdoar, mas que faz bem à saúde, não tenho a menor dúvida. Quanto mais leve a alma, mais forte o organismo. Por que não tentar?

Louise L. Hay acredita tanto, mas tanto nisso, que chegou a fazer uma lista de doenças e suas prováveis causas. Exemplo: apendicite vem do medo. Asma, de choro contido. Câncer, de mágoas mantidas por muito tempo. Derrame, da rejeição à vida. Dor de cabeça vem da auto-crítica. Gastrite, de incertezas profundas. Hemorróidas vem do medo de prazos determinados e raiva do passado. A insônia vem da culpa. Os nódulos, do ego ferido. Sinusite é irritação com pessoa próxima.

Médicos, por favor, não me esculhambem, eu sei e os leitores também sabem que não é bem assim, que isso é uma generalização e que há vários outros fatores em jogo, mas não custa prestarmos atenção na interferência que nossos sentimentos têm sobre nosso corpo, assim poderemos ajudar no tratamento sendo menos tensos e angustiados.

Para quem é 100% cético, tudo isso é balela. Eu sou 70% cética, e pretendo reduzir este índice, já que reconheço que os meus parcos 30% de crença no que não é cientificamente provado é que me salvam de uma úlcera.

© Martha Medeiros - O Globo 22/01/2006
E-mail: martha.medeiros@oglobo.com.br

(Presente da M.Nilza - RJ)

27 Janeiro 2006



Madre Tereza


Um jornalista perguntou a Madre Teresa:

"Quando você reza, o que você diz a Deus?"

Ela disse:

" Não falo, escuto."

O jornalista então perguntou:

"O que Deus diz a você?

Madre Teresa respondeu:

"Ele não fala. Ele escuta.

E se você não pode compreender isso, não posso lhe explicar."

(Presente de Nina Castro e de Sylvia Cohin)

http://momentusmomentus.blogspot.com/

26 Janeiro 2006



LOGO ENVELHECEREI


BIENTÔT, JE SERAI VIEILLE

Senhor, tu sabes melhor que eu
envelheço a cada dia:
Breve, serei velha...
Livra-me do hábito desastroso
de crer que tenho algo a dizer
a respeito de tudo
em todas as ocasiões
Livra-me do desejo
De arrumar a vida de todo mundo.
Torna-me ponderada e não rabugenta,
prestativa e não autoritária.
Por vezes parece-me lastimável
não utilizar minha imensa experiência:
mas tu sabes, Senhor,
que gostaria de conservar alguns amigos.

Impele-me de me perder
no recital de mil detalhes
e dá-me asas
para ir ao essencial.

Sela meus lábios às minhas penas e dores
mesmo que aumentem sem cessar
e que seja cada vez mais doce
com o passar do tempo, as enumerar.

Não ouso reclamar uma melhor memória
mas se ela se conflita com a dos outros,
ensina-me a lição maravilhosa
de aceitar que posso estar enganada

Não pretendo ser uma Santa:
os santos são por vezes tão difíceis de conviver!
Mas uma mulher velha e amarga
É obra do diabo.

Ajuda-me a usufruir da vida.
Há tantas coisas alegres e divertidas
onde menos se espera:
torna-me capaz de as ver,
assim como reconhecer os dons
onde não os pressentíamos
e dá-me a graça de o dizer... Amém

Cette preière est due à une religieuse
Française du XVII siècle: Sæur Véronique-Sophie

(Presente de Marli Povoas - BA)


PENUMBRA


Espere...
Não entre na desordem deste quarto,
esparramei no chão meus sentimentos,
estou revendo a história de cada momento.
Cuidado!!
Aqui estão os ais do meu passado...
Não pise nessas dores tão antigas,
Tão velhas, que já são minhas amigas.
Observe
todas as imagens desbotadas,
são meus momentos de decepção
lavados com o pranto de meu coração...
Descubra
pendurada naquela parede,
minha coleção de esperanças
desde os velhos tempos de criança...
Confira
aqueles momentos de incerteza,
os medos, pesadelos, titubeios,
coleção de meus tolos receios...
Admire...
Empilhei ali naquele canto
todas as vitórias conquistadas,
quando por mim fui superada !!
Sorria,
Veja a coletânea de alegrias,
meu acervo da rara beleza...
A vida não tem sido só tristezas !!
Não brinque !
Aqui eu guardo meus amores...
De todos, os mais fortes sentimentos.
Tremo ao relembrar cada momento!
Não ligue...
Ali deixei a miscelânea,
instantes... curtos, fortes, variados,
murais que só eu sei o significado...
Enfim...
Sente-se aqui perto de mim,
apague a nostalgia que me inunda
e veja à meia-luz desta penumbra,
flashes da aventura que deslumbra!

© Sylvia Cohin
Cidade do Porto - Pt
TDF - Bahia - Brasil
03.04.2004


NOTA: Este poema já havia sido publicado no Fotolog Fazenda Urupês, mas diante da beleza destes versos foi repetido aqui neste Blog.

25 Janeiro 2006



NECESSIDADE VITAL


Precisamos que precisem de nós. Sermos úteis e necessários é um alimento vital para a alma e que nos faz erguer a cabeça todas as manhãs, dando sentido a tudo.
Acredito piamente que o “mal do século”, o estado depressivo, que assola milhares de pessoas, se origina do fato constatado de que a sua utilidade está com data de vencimento expirada.
Não é só a aposentadoria, o envelhecimento ou a solidão, o que causa a maioria desses olhares tristes e sem viço estampados em faces inúmeras.
A descoberta de não serem mais peças indispensáveis na engrenagem da vida dos que os cercam é o que desagrega, desanima, desestimula uma grande parcela da raça humana.
A sensação de que foram colocados num arquivo como se fossem um relógio antigo que perdeu os ponteiros, que rebentou a corda, faz um estrago muito maior do que o possivelmente imaginável. Descartados, sentem que, além de carta fora do baralho, se tornam prescindíveis. Não fazem mais a diferença. Aliás, passam a ser os diferentes. Pessoas que deixaram de ser. Deixaram de ter importância.

Como um pé de sapato que perdeu o par. Sem utilidade. Ninguém precisa deles.
Esses pensamentos vieram povoar a minha mente porque constatei que sou necessária, que precisam de mim e que eu preciso que precisem de mim.
Isso é extraordinário. É salutar e restaurador. Alguém precisa de mim, das minhas mãos, da minha energia, do meu abraço, das minhas palavras, da minha companhia. A minha existência se justifica por essa colheita e me faz feliz.
Mas e depois? E se, de repente, eu me tornar aquele pé de sapato sem o par, aquele relógio de corda rebentada? Nem quero pensar. Mas preciso pensar. Porque posso vir a ser descartável ou, como se diz na linguagem da informática, “deletada”. E terei que saber lidar com essa possibilidade.
Acho que a melhor estratégia para esse caso, para tal fatalidade, é tratar de ser necessária a mim mesma também.
Precisamos que precisem de nós, mas principalmente, precisamos de nós mesmos.
E não se trata de cultivar o amor-próprio em demasia. A questão é semear no intimo o gosto intenso pela vida do jeito que ela se apresentar, faça sol ou faça chuva. O segredo é amar a própria vida a ponto de fazê-la necessária, de qualquer forma, mesmo quando a vida lá fora quiser dizer o contrário.

© Maria Alice Estrella

http://www.marialicestrella.com



Como seria ...


Penso como seria
A ausência da noite
Sem a presença do dia
Como seria o silêncio
Na ausência duma voz
A saudade num despertar só
A vingaça duma partida
Sem mágoa de ter chegado
Como seria
A luz, sem claridade
O calor perpétuo
Dum corpo frio
A fraqueza de uma alma forte
A serenidade
De um espírito inquieto
Penso como seria
Viver, sem ter nascido...

© Rosa Maria - À Flor da Pele
Queluz - Pt

http://aflordapele455.blogspot.com/
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Foto Ribeira e Torre dos Clérigos - Pt

24 Janeiro 2006



SE VOCÊ QUER, VOCÊ PODE!


Tudo que você quer
você pode...
ainda que lhe sejam impostas
condições...
Uma força estranha
conspira...
O artista cria
a mais bela estátua
mas dilacera a pedra.
A árvore cresce viçosa
mas suas raízes rasgam calçadas.
Para a mais pura porcelana,
o mais alto grau de fogo.
O milagre da vida acontece
porque existe o parto
e ninguém venha me dizer
que não é com dor.
Sem lutas, vitória não há
Se você não ama a vida,
faça uma experiência
que o fará adorá-la:
FIQUE DOENTE!

© Maria José Zanini Tauil


Maria José Zanini Tauil. Atua como docente em Língua Portuguesa e Literatura. Tenho um livro impresso: O AMOR É O CAMINHO, participação em 8 antologias e 9 e-books pela AVBL. Seu site: CORAÇÃO BAZAR. Em suas prateleiras há sempre AMOR em promoção. É membro da AVBL e da ABRALI.

http://www.planetaliteratura.com/index.php?view=detalhesartigo&codigo=10772

Música Nova

Hoje coloquei uma música nova, muito linda. Porém se ela não iniciar sozinha vá até o Controle de Som e clique na flecha do PLAY.

23 Janeiro 2006




Ciclos em nossas vidas



"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas,portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."

© Paulo Coelho

“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão”
(Fernando Pessoa)

Recordações da Infância



Você se recorda de algum episódio importante da sua infância?
De certa forma, as lembranças de fatos que marcaram os primeiros anos, podem exercer poderosa influência na formação do nosso caráter, balizando nossas ações por toda vida.

Isso foi o que aconteceu com Norman, cuja história foi publicada na revista seleções.

Conta Norman que, quando sua esposa ficou gravemente doente, perguntou a si mesmo como poderia arcar com as dificuldades físicas e emocionais e cuidar dela.

Numa noite, quando suas forças ameaçavam abandoná-lo, veio-lhe à mente um episódio há muito esquecido.

Lembrou-se de quando tinha uns dez anos de idade e sua mãe estava muito mal. Levantou-se no meio da noite para beber água e ao passar pelo quarto dos pais, observou a luz acesa e entrou. Viu que seu pai estava lá, de roupão, sentado numa cadeira ao lado da cama da mãe, apenas olhando-a.

O que aconteceu, papai? Por que você não está dormindo? Perguntou Norman.

E seu pai tranqüilizou-o dizendo: não aconteceu nada, filho. Estou apenas velando por ela.

Norman diz que não sabe explicar como, mas a lembrança daquela cena antiga lhe deu forças para retomar a própria cruz. Conta como descobriu o episódio que marcou seu filho Jim, de quinze anos de idade. Diz ele que num dia claro de primavera quando ambos pintavam a grade da varanda, perguntou a Jim do que ele se lembrava mais claramente.

Jim respondeu sem hesitar: "da noite em que íamos de carro para algum lugar, só eu e você, numa estrada escura, e você parou e me ajudou a pegar vaga-lumes."

Depois de buscar na memória, Norman se recordou que isso acontecera quando Jim tinha apenas cinco anos. Haviam parado para limpar o pára-brisa e foram cercados por uma nuvem de vaga-lumes.

Lembrou-se de que tinha um vidro no porta malas e que ajudou Jim a colocar dentro dele muitos vaga-lumes, para depois destampar o vidro e deixá-los voarem um a um, enquanto ia falando ao filho da misteriosa luz fria que aqueles insetos levam no corpo.

Daquele dia em diante, Norman passou a pedir aos amigos que pensassem na sua infância e lhe contassem o que lembravam com maior nitidez.

Um deles, filho de um diretor de empresa que passava muito tempo longe da família, falou da cena de que se lembrava nitidamente. "É do dia do piquenique anual do colégio, quando meu pai, normalmente muito distinto, se apresentou em mangas de camisa, sentou-se comigo na grama, comeu o almoço frio e depois deu o chute mais forte no nosso jogo de bola."

Descobri, depois, que ele tinha adiado uma viagem de negócios à Europa para ficar comigo."

Como Norman, seu filho e seu amigo, todos temos algo para recordar ou para deixar marcado na alma dos nossos filhos. Os pais podem, por seus atos ou palavras, comunicar emoções e experiências aos filhos.

Podem deixar-lhes lembranças de coragem, e não de medo; de força, e não de fraqueza; de gosto pela aventura, e não de retraimento ante pessoas e lugares estranhos; de calor e afeição, e não de rigidez e frieza.

É precisamente nessas recordações que se enraízam as reações e os sentimentos que caracterizam toda a atitude da pessoa com relação à vida. E aquilo que para o adulto possa parecer uma palavra ou um ato banal é, para a criança, muitas vezes, o núcleo de uma lembrança importante sobre a qual ela vai construir alguma coisa.

Assim, se você é pai ou mãe, procure encontrar a energia, o tempo ou o entusiasmo extras para executar o projeto pequenino e aparentemente insignificante, que é tão importante para seu filho.

PS: Ontem (Dia de S. Vicente) meu pai teria feito 89 anos de idade. Saudades...

http://www.momento.com.br

22 Janeiro 2006



PROCURANDO DEUS


** Autor desconhecido

O velho sábio, satisfeito com todo o conhecimento que adquirira através dos anos, com tudo o que acumulara com seu trabalho, percebeu que andava triste; desmotivado em relação à vida, sentiu, então, necessidade de conversar com alguém de seu nível intelectual e experiência.
Lembrou-se, então, de Deus.
Há quanto tempo não pensava Nele; há quanto tempo desistira de contatá-lo, já nem sabia mais.
— Curioso ! somente agora, mais velho, pleno de conhecimento e com toda a tranqüilidade que me oferecem as minhas riquezas, é que estou sentindo falta de Deus.
Por que será ?
Também - continua ele a matutar - neste mundo violento, nesta vida atribulada, quem é que consegue encontrar Deus ?
Assim pensando, providenciou cuidados adequados para seus bens materiais, para a família e partiu para o deserto em busca de Deus.
A cada dia mais, vai penetrando naquela imensa desolação.
Água, levara o essencial; comida, apenas, para não morrer de inanição.
Assim vai ele, meditando, jejuando e a cada dia mais sozinho.
Por fim; extenuado, sedento e faminto resolve abandonar a busca e permitir que a morte o leve até Ele.
Quando começa a pressentir a proximidade dela, uma voz suave vinda de não sabe onde - dando até a impressão de vir de dentro de sua própria mente - o chama dizendo:
"Meu filho, por que buscas a Mim, aqui no meio do deserto? ".
Ele desperta daquele torpor e, mesmo fraco, tem forças para circunvagar o olhar em busca da Origem daquelas palavras.
Mas, nada vê.
Quando pensa em abandonar-se novamente, a mesma voz o chama dizendo:
"Meu filho ! Eu estou aqui, em nosso ponto de encontro.
Aqui, dentro de teu coração".
— Vá; não blasfemes !
Afasta-te e deixa, ao menos, que eu morra em paz.
— Não te atemorizes.
És parte de mim.
Tu Me carregas, inconscientemente, em tuas células e Me contatas através do coração, como sempre fizeste, antes de te tornares "rico" e "sábio".
Estávamos em contato, quase permanente, quando oravas nas ruas, através de um sorriso amoroso dirigido a um velho triste ou a uma criança carente, que também era Eu.
Caminhavas Meu caminho, quando o teu dízimo era um pão dado ao faminto da matéria ou uma palavra de carinho ao teu irmão, sedento de amor.
Tu eras Eu, nos instantes em que tuas mãos acolhiam e amparavam a tua irmã mais velha que, já alquebrada, labutava com dificuldade na caminhada terrena.
Por estes motivos que te enumerei e mais outros tantos, é que não me procuravas.
Não sentias falta da Minha Presença porque, naqueles momentos, estava ativa a Minha Essência em ti.
Estamos inevitavelmente ligados, sempre.
Somente não o percebes, porque está te faltando, agora, o amor espontâneo, a doação que te encaminha a esta percepção natural de nossa ligação eterna.
Filho, ouve com atenção estas palavras, para que teu coração as tenha gravadas, quando despertares: AMA !
E, somente assim, perceberás a Minha Presença em ti.

(Presente da Áurea Manchini)



A ARTE DE SER FELIZ


HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé, brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo, costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência?
E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


"Cecília Meirelles"

21 Janeiro 2006



Mulher


Tanta coisa se tem escrito sobre a mulher!
Já lhe chamaram deusa, musa, fonte de vida, amante, mãe, amiga...!
Já a fizeram termo de comparação com as mais belas paisagens, músicas... tornaram-na obra de arte... testemunho para um futuro reconhecer... se enternecer... e continuar a falar da mulher... aquele ser complicado... no dizer de alguns homens... que nunca por inteiro se dá a conhecer!

Eu hoje também quero falar da mulher!
Quero falar da mulher que cala e reprime a vontade de gritar que reparem no seu olhar... que ele tem muito para contar!

Quero falar da mulher que cai e se levanta sozinha... e assim continua... e assim caminha... porque até a si própria tem vergonha de confessar as máscaras que coloca para o mundo não perceber que é maltratada... «por palavras, actos e omissões»! E tantas... tantas desilusões...

Quero falar da mulher que é mãe e pai... que é uma profissional que qualificam como competente, que gere a casa, cozinha, que corre a levar e a buscar as crianças ao colégio... ficando sempre com um aperto no peito... com o sentimento de que o beijo que lhes deu foi apressado demais... e aquele momento não volta mais...

Quero falar da mulher que agora dá colo à mãe... quando também ela precisa... e já não tem!

Quero falar da mulher que diz que está cansada quando quer dizer que está triste! E assim se engana... assim se protege! E assim resiste...

Quero falar da mulher que chega à conclusão de que afinal... as escolhas importantes se fazem numa idade em que não se tem idade para em consciência as fazer!
Quero falar da mulher que finge ter uma vida... sem a ter!

Quero falar da mulher que é capaz de escrever um texto sobre a mulher... mas seria incapaz de o fazer se o tema fosse viver... porque esse verbo... não rima com feliz, amada, respeitada, e então do que iria falar? Só rima com nada!

**Nina**
(mulher... com saudades de ser menina...)
- Lisboa -





......
Texto deixado pela Nina no seu Blog dia 20/01/2006

Preciso ir...
A vida impõe-mo.
A todas as pessoas bonitas que 'aqui' conheci :
nunca deixem de ser assim e de partilhar o que de bom têm com os outros.
Deixo a certeza do meu afecto.
E sei que vocês o sabem.
Abraço, fragilizada, emocionada.
Ni*

http://momentusmomentus.blogspot.com/

20 Janeiro 2006



Amor Descompassado


Coração que valseia palpitante
dançando ao sabor de seu compasso,
do amor rabisca a pauta inquietante
sufoca e aflige o peito passo-a-passo...

Colcheias rodopiam em cadência,
são sonhos cor-de-rosa bem marcados,
pelo amor afogueado de candência,
partitura de amantes apressados!

Vertigem que inebria os sentidos,
regência de um querer apaixonado,
eleva-se através dos sustenidos,
ao tom maior do amor desenfreado!

© Sylvia Cohin
Porto, 20.01.2006

19 Janeiro 2006




Meu coração fica com o coração dela...




"A boca fala do que está cheio o coração": esse é um ditado da sabedoria judaica que se encontra nas escrituras sagradas. Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para chegar ao que o coração sente. Acontece comigo.

Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve. Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de 11 anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado, fico pensando e falando sempre a mesma coisa. A Camila estava na sala de televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: "Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo, eu sofro também. O meu coração fica com o coração dela". Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama "compaixão". Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer "sofrer com". Não estou sofrendo, mas vejo uma pessoa sofrer.

Aí, eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente. O apóstolo Paulo escreveu que posso dar tudo o que tenho aos pobres, mas, se me faltar o amor, nada serei, porque posso dar com as mãos sem que o coração sinta.

A compaixão é uma maneira de sentir. É dela que brota a ética. Alguém foi se aconselhar com Santo Agostinho sobre o que fazer numa determinada situação. Ele respondeu curto e definitivo: "Ama e faze o que quiseres". Pois não é óbvio? Se tenho compaixão, nada de mau poderei fazer a quem quer que seja.

Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: "Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui".

Compaixão por um arbusto... Ele explica esse mistério da alma humana dizendo que "em tudo quando olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo...". Os olhos, movidos pela compaixão, o faziam participante da sorte do pequeno arbusto. Eu já sabia disso, mas nunca havia enchido o meu coração a ponto de doer.

Doeu porque liguei a fala da Camila a essa tristeza que está acontecendo no Brasil. Os corruptos são homens que passaram pelas escolas, são portadores de muitos saberes. Tendo tantos saberes, o que lhes falta? Falta-lhes compaixão. A falta de compaixão é uma perturbação do olhar. Olhamos, vemos, mas a coisa que vemos fica fora de nós. Vejo os velhos e posso até mesmo escrever uma tese sobre eles, se eu for um professor universitário, mas a tristeza do velho é só dele, não entra em mim. Durmo bem. Nossas florestas vão aos poucos se transformando em desertos, mas isso não me faz sofrer. Não as sinto como uma ferida na minha carne. Vejo as crianças mendigando nos semáforos, mas não me sinto uma criança mendigando em um semáforo. Vejo os meus alunos nas salas de aulas, mas meu dever de professor é dar o programa e não sentir o que os meus alunos estão sentindo.

De que vale o conhecimento sem compaixão? Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons.
Sabemos como ensinar saberes. Há muita ciência escrita sobre isso. Não me lembro, no entanto, de nenhum texto pedagógico que se proponha a ensinar a compaixão. Talvez o livrinho "Como Amar uma Criança", do Janusz Korczak - mas Korczak é uma exceção. Ele sabia que, para ensinar algo a uma criança, é preciso amá-la primeiro. Korczak era um romântico. Por isso o amo. Aí, fiz a mim mesmo uma pergunta pedagógica: "Como ensinar a compaixão?". Conversando sobre isso com minha filha Raquel, arquiteta, ela se lembrou de um incidente dos seus primeiros anos de escola, quando ainda era uma menina de sete anos. Seria o aniversário da faxineira, uma mulher que todos amavam.

A classe se reuniu para escolher o seu presente. Ganhou por unanimidade que, no dia do seu aniversário, as crianças fariam o seu trabalho de faxina. Disse-me a Raquel que a faxineira chorou. Sei que as crianças aprendem com um olhar especial, o olhar de suas professoras. Elas sabem quando as professoras as olham com os mesmos olhos com os quais Fernando Pessoa olhava o arbusto quando escreveu o poema.

Sei também que as histórias provocam compaixão quando o leitor se identifica com um personagem. Sei de um menininho que se pôs a chorar ao final da história "O Patinho que Não Aprendeu a Voar". Ele teve compaixão do patinho. Identificou-se com ele. Vai carregar o patinho dentro de si, embora o patinho não exista. Lemos histórias para as crianças e para nós mesmos não só para ensinar a nossa língua mas também para ensinar a compaixão. Mas continuo perdido. Preciso que vocês me ajudem. Como se pode ensinar a compaixão?

© Rubem Alves
72anos, lançando quatro áudio-livros para deficientes visuais e outros, e quatro CDs com histórias infantis

(Presente da Mary-Usa)

18 Janeiro 2006




Os excluídos




Ao contrário do que o título desta crônica possa sugerir, não vou falar sobre aqueles que vivem à margem da sociedade, sem trabalho, sem estudo e sem comida. Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor. São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.

A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossíver ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.

E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis.

Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.

Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive. Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.

A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.

© Martha Medeiros

http://almas.terra.com.br/martha/martha.htm




Nada a perder, tudo a ganhar




Outro dia sentada na área de minha casa vi passar, meio pra lá de alegre, uma figura outrora muito importante.
O cidadão teve revezes na vida, destes que não deixam pedra sobre pedra.
Começou com percalços financeiros seguidos de separação, abandono por parte dos filhos e da mulher que trataram de buscar rapidamente novos caminhos.
Eu diria que ele teria tudo para dar um tiro na cabeça: perda da situação financeira invejável, perda do lar aparentemente bem formado, perda do crédito e de todo o conforto do qual sempre desfrutara.
Curioso notar que na época das vacas gordas, o personagem deste texto era sisudo e tenso.

Ao vê-lo passar assobiando pela minha rua em trajes tão modestos, chinelos de dedo, camisa puída e amarrotada, eu não pude deixar de me questionar: por que será que ele assobia e parece tão feliz?
Andei questionando a vizinhança e soube que ele morava agora num casebre e vivia das gorjetas que recebia por declamar nos bares alguns poemas memoráveis do Vinícius afora outros de sua autoria, os quais tinham um conteúdo denotadamente gozador e bem humorado.

Meu encontro com ele aconteceu de forma acidental.
Fui buscar lanches num sábado à tarde e lá estava ele declamando com ênfase.
Após pedir meus lanches fiquei num cantinho apreciando.
Após os aplausos de uma galera já meio entorpecida de brahmas, kaisers e congêneres, eu o cumprimentei e já ía saindo com os lanches.

Ele me chamou:
- Ô querida poetisa, escuta aí que vou declamar a sua "Declaração de Amor".
Ouvi sua poesia pelo rádio e fui lá pedir uma cópia, foi explicando ele.
Desnecessário dizer que perdi o rumo com a surpresa da declamação tão comovente.

Tornamo-nos amigos e um dia lhe perguntei:
- Você me parece tão feliz. Diga-me qual o motivo desta felicidade, visto que sua vida foi virada do avesso?

- Minha cara, sabe de uma coisa? Eu não tenho mais nada a perder. Não tenho mais família e assim não preciso me preocupar em ganhar dinheiro.
Não tenho mais medalhões no meu círculo de amigos e assim, não preciso mais dar aquelas festas chatas e formais.
Não tenho mais casa ou outras propriedades e consequentemente não tenho impostos a pagar.
Não tenho mais carros e nada que se possa alienar.
Como nada mais tenho, os gerentes de banco e os cobradores desistiram de me assediar.
Já não tenho preocupação, reputação ou um bom nome a zelar. Já não tenho hora para dormir ou para acordar.
Sou livre para ir e vir e tenho amigos verdadeiros (e não parasitas) que me dão uns trocos de bom coração, em troca do meu versejar.
Eis-me! Este sou eu verdadeiramente, exclamou ele, e era notório tratar-se da afirmação de um homem feliz na sua nova condição.
Este foi o estranho modo que a vida usou para devolver o personagem desta história a si mesmo.
Fica aí uma lição a quem interessar possa: algumas vezes na vida, é preciso se perder para poder se achar.
Algumas vezes, quando já não há mais nada a perder, é justamente quando se tem tudo a ganhar.

© Fátima Irene Pinto

http://www.fatimairene.com/

17 Janeiro 2006




Minha Criança




Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.

Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece no meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma. Minha criança sente enorme saudade de pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.

Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no Mistério e na proteção de Deus.

Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa d enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.

Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai, levar-lhe os presentes que ganhava de meu padrinho e toda a enorme vontade de Ser que então adivinhava para a minha vida. Vida que chegou, ameaça passar, e da qual não me arrependo. Minha criança adivinhou em seus sonhos o adulto que eu queria ser. E traz alegria e esperanças à minha idade atual. Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser. Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida.

© ARTUR DA TÁVOLA

http://www.arturdatavola.com/Cronicas_4.html

(Presente da Áurea Manchini)

16 Janeiro 2006




STRIP-TEASE




Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.

Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua: "Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

© Martha Medeiros

http://almas.terra.com.br/martha/martha.htm

15 Janeiro 2006




Mário Quintana responde à Denise Frossard




A deputada Denise Frossard deu o seguinte parecer de cunho nazista, ao projeto de lei que considera crime discriminar deficientes físicos:

"A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana"

Cai como uma luva para a senhora, Dona Denise Frossard o texto de Mário Quintana:

Dona Denise,

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois "Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

© Mário Quintana

PS.: Dona Denise Frossard, "A ignorância é a mãe do preconceito. O preconceito é o pai da discriminação. A discriminação é a mãe do racismo. Nazismo nunca mais!"

(Presente de Cleo Dal Prá)

http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2005/12/341480.shtml

http://www.gaparp.org.br/noticias/index.php?id=12184

http://www.cidadania.org.br/conteudo.asp?conteudo_id=5482




A esperança em vidros coloridos




Sempre olhei com desconfiança a teoria estética da psicanálise que afirma que o sentido de uma obra de arte não se encontra nela mesma, mas nos subterrâneos obscuros da alma de onde ela brota. Toda obra de arte é uma dissimulação. A beleza é um gemido travestido. O que levou Bachelard a brincar: "O psicanalista é uma pessoa que, quando lhe mostramos uma rosa, pergunta: "Mas e o esterco, onde está?'"

Mas esse livro de vitrais que estou folheando, a mais linda coleção de vitrais que jamais vi reunidos, obras de um único homem, está me produzindo pensamentos diferentes. Estou pensando que há obras de arte que só ganham a sua verdadeira dimensão quando as vemos através da transparência do rosto do artista. É o caso da "Nona Sinfonia". Não é preciso saber o nome de Beethoven para sentir a sua beleza. Acontece, entretanto, que Beethoven estava completamente surdo quando a compôs. Ele não podia ouvir sua própria música.

Quando a ouço, pensando em Beethoven açoitado pelo destino, a "Nona Sinfonia" ganha a sua dimensão trágica. Ela se torna um testemunho do triunfo do espírito sobre a tragédia. Como disse Rilke, a beleza nos permite contemplar a tragédia sem sermos destruídos por ela.

Senti algo parecido ao ver os vitrais em cada página. Maravilhosos, em si mesmos. Mas, ao pensar no artista, eles se tornam um testemunho.

Arystarch Kaszkurewicz, vitralista, um polonês pacifista. A guerra lhe arrancara as duas mãos e um olho. Ravel compôs um concerto de piano para a mão esquerda, dedicado a um pianista amigo que perdera a mão direita na guerra. Mas um vitralista, sem as duas mãos? Ele pensou que no Brasil poderia refazer a sua vida. Mas havia uma lei que proibia a entrada de deficientes físicos no país. O país precisava de homens saudáveis, bons para o trabalho. Que trabalho se pode esperar de um homem sem as mãos? Foi uma carta do National Catholic Wellfare Conference (1951) que abriu o caminho. Em 1952, por decreto do presidente Vargas, ele desembarcou em Santos com a sua família.

A princípio trabalhou como empregado de uma casa especializada em vitrais em São Paulo. Suas obras ficaram sem assinatura. Mas ele nelas deixava secretamente traços e símbolos que só os seus amigos entenderiam. O vitralista Simeão Sugai, 74, trabalhou com ele por cerca de dez anos. Comentou que tudo ele fazia sozinho, do planejamento à execução. Só uma coisa lhe pedia: que lhe arregaçasse as mangas... Era um solitário. Fugia dos jornalistas que o procuravam. Quando era inquirido sobre o significado de seus vitrais ele respondia: "Para quê? As crianças entendem sem fazer perguntas...".

Peregrinou por todo o país espalhando a beleza. Fez cerca de 20 vitrais que contam a colonização do Brasil. Também os vitrais do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo são de sua autoria. O padre Baldan, 84, da Paróquia de N.S. Auxiliadora, em Campinas, relata: "Ele veio me pedir para trabalhar na paróquia. E já possuía um projeto em mente. Eu sorri desconfiado. Como é que um homem sem mãos poderia realizar tal trabalho? Vendo a desconfiança no meu sorriso ele espalhou sobre a mesa desenhos e fotos da sua obra. "Aí está o meu trabalho. Olhe para eles. Não olhe para mim.'" Fez no altar dessa paróquia um mosaico de nove metros de altura com minúsculas pastilhas de vidro: a Virgem assentada num trono com o menino Jesus ao colo. Todos temos o direito de nos assentar no colo da Virgem...
Do altar dessa igreja, olhando-se na direção da porta principal, Arystarch colocou no vitral um arco-íris que cobre o mundo. Beethoven cantou a alegria. Arystarch Kaszkurewicz pintou a esperança.

Todas as informações desse artigo foram retiradas do livro de Raquel Bueno Arystarch: "O Arquiteto dos Deuses" (Eletrobrás. Campinas, SP: Ed. do autor, 2004).

A foto no alto é da Catedral de São José, Fortaleza, Ceará

© Rubem Alves

(Presente de Cleo Dal Prá)

14 Janeiro 2006

ONTEM E AMANHÃ



Hoje vou apagar do meu calendário dois dias: Ontem e Amanhã!
Ontem foi para aprender!
Amanhã será uma conseqüência do que posso fazer hoje.

Hoje enfrentarei a vida com a convicção de que este dia nunca mais retornará.
Hoje é a última oportunidade que tenho de viver intensamente, já que ninguém me assegura que amanhã verei o amanhecer.
Hoje terei coragem para não deixar passar as oportunidades que se apresentam, que são as minhas chances de triunfar!
Hoje aplicarei a minha riqueza mais apreciada: O meu tempo!
Meu trabalho mais transcendental: A minha vida!

Passarei cada minuto apaixonadamente para transformar este dia num único e no melhor dia da minha vida!
Hoje vencerei cada obstáculo que surgir no meu caminho acreditando que vencerei!
Hoje resistirei ao pessimismo e conquistarei o mundo com um sorriso, com uma atitude positiva esperando sempre o melhor!
Hoje farei de cada humilde tarefa uma sublime expressão!
Hoje terei meus pés sobre a terra compreendendo a realidade!

E as estrelas cintilarão para inaugurar o meu futuro.
Hoje usarei o meu tempo para ser feliz!
Deixarei as minhas pegadas e a minha presença nos corações queridos!
Venha viver comigo uma nova estação onde sonharemos que tudo o que nos propomos pode ser possível!
E ousaremos brindar a próxima manhã com a certeza de um dia melhor.

(autor desconhecido)

(Presente de Mário Campello)

13 Janeiro 2006

O Anel



"Venho aqui , professor, porque me sinto tão pouca coisa, que não tenho forças para fazer nada. Me dizem que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo e muito idiota. Como posso melhorar? O que posso fazer para que me valorizem mais?

O professor, sem olhá-lo, disse: - Sinto muito meu jovem, mas não posso te ajudar, devo primeiro resolver o meu próprio problema. Talvez depois. E fazendo uma pausa falou:

- Se você me ajudasse, eu poderia resolver este problema com mais rapidez e depois talvez possa te ajudar.

C... Claro, professor, gaguejou o jovem, mas se sentiu outra vez desvalorizado e hesitou em ajudar seu professor.

O professor tirou um anel que usava no dedo pequeno e deu ao garoto e disse:

- Monte no cavalo e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho que pagar uma dívida. É preciso que obtenhas pelo anel o máximo possível, mas não aceite menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com a moeda o mais rápido possível.

O jovem pegou o anel e partiu. Mal chegou ao mercado começou a oferecer o anel aos mercadores. Eles olhavam com algum interesse, até quando o jovem dizia o quanto pretendia pelo anel. Quando o jovem mencionava uma moeda de ouro, alguns riam, outros saiam sem ao menos olhar para ele, mas só um velhinho foi amável a ponto de explicar que uma moeda de ouro era muito valiosa para comprar um anel.

Tentando ajudar o jovem, chegaram a oferecer uma moeda de prata e uma xícara de cobre, mas o jovem seguia as instruções de não aceitar menos que uma moeda de ouro e recusava as ofertas.

Depois de oferecer a jóia a todos que passaram pelo mercado, abatido pelo fracasso montou no cavalo e voltou. O jovem desejou ter uma moeda de ouro para que ele mesmo pudesse comprar o anel, assim livrando a preocupação de seu professor e assim podendo receber ajuda e conselhos.

Entrou na casa e disse: - Professor, sinto muito, mas é impossível conseguir o que me pediu. Talvez pudesse conseguir duas ou três moedas de prata, mas não acho que se possa enganar ninguém sobre o valor do anel.

- Importante o que disse meu jovem, contestou sorridente.

- Devemos saber primeiro o valor do anel. Volte a montar no cavalo e vá até o joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto ele te dá por ele. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o venda. Volte aqui com meu anel.

O jovem foi até o joalheiro e lhe deu o anel para examinar. O joalheiro examinou o anel com uma lupa, pesou o anel e disse: - Diga ao seu professor, se ele quer vender agora, não posso dar mais que 58 moedas de ouro pelo anel.

- 58 MOEDAS DE OURO!!! Exclamou o jovem.

- Sim, replicou o joalheiro, eu sei que com tempo eu poderia oferecer cerca de 70 moedas , mas se a venda é urgente...

O jovem correu emocionado a casa do professor para contar o que ocorreu.

- Senta. Disse o professor e depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou disse:

- Você é como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um expert. Pensava que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor??? E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo.

- Todos somos, queridos amigos, como esta jóia: Valiosos e únicos e andamos por todos os mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem."

(Presente da SAMARA/Assis)

NUNCA MAIS EU RECLAMO




De volta à meados dos anos 70...

Um homem esta viajando e para em um posto de gasolina em meio a um torrencial aguaceiro. Ele confortavelmente sentado dentro de seu carro seco, enquanto um homem, que assobiava alegremente enquanto trabalhava, encheu seu tanque debaixo daquela chuva terrível.

Quando o cliente estava partindo, como que se desculpando, disse,
- Sinto muito que você tenha que estar aí fora com este tempo.

O atendente respondeu,
- Não me aborrece nem um pouco. Quando eu estava lutando no Vietnã eu prometi a mim mesmo que se um dia eu conseguisse sair vivo daquele lugar, eu seria tão grato que nunca mais reclamaria sobre qualquer coisa novamente. E assim tem sido e nada me aborrece.

Assumir a responsabilidade por nossas atitudes é parte da construção de uma vida íntegra e feliz.

(Texto esparso - Presente de Aurea Manchini)

**Tradução de SergioBarros

12 Janeiro 2006

O Poder das Palavras



Sempre num lugar por onde passavam muitas pessoas, um mendigo sentava-se na calçada e ao lado colocava uma placa com os dizeres:
"Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem humorado."
Alguns passantes o olhavam intrigados, outros o achavam doido e outros até davam-lhe dinheiro. Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que a cada dia a quantia era maior.

Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava há algum tempo, aproximou-se e lhe disse:
- Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?
"Vamos lá. Só tenho a ganhar!", respondeu o mendigo.

Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa.
Daí para frente sua vida foi uma seqüência de sucessos a certo tempo ele tornou-se um dos sócios majoritários.

Numa entrevista coletiva à imprensa, ele esclareceu de como conseguira sair da mendicância para tão alta posição. Contou ele:
- Bem, houve época em que eu costumava me sentar nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:
" Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar!
Sou um homem fracassado e maltratado pela vida!
Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocados! Mal consigo sobreviver!"

As coisas iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia:
" Tudo que você fala a seu respeito vai se reforçando.
Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem.
Por mais que você não goste de sua aparência, afirme-se bonito.
Por mais pobre que seja você , diga a si mesmo e aos outros que você é próspero "

Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa para:
" Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito,...."

E a partir desse dia tudo começou a mudar, a vida me trouxe a pessoa certa para tudo que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje.

Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre apoiará tudo o que dissermos, escrevermos ou pensarmos a nosso respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade.

Enquanto afirmarmos que tudo vai mal, que nossa aparência é horrível, que nossos bens materiais são ínfimos, a tendência é que as coisas fiquem piores ainda, pois o Universo as reforçará. Ele materializa em nossa vida todas as nossas crenças.

© Silvia Schmidt

PAPEL AMASSADO



© Maria Alice Estrella


Nenhuma folha em branco. Todas escritas. Algumas amassadas.
O cesto acumula bolas de papel amarrotadas que, sem piedade, foram sendo descartadas uma a uma. Aquelas em que erro e corrijo e torno a cometer deslizes.
Frases iniciadas e interrompidas esquartejaram as palavras e deixaram sem sentido o que o pensamento queria expressar. Daí um gesto impaciente aperta, comprime e as põem de lado. Folhas de papel que rasuradas em sua limpidez se vêem machucadas e inúteis.
Na verdade, elas fazem parte de todo um processo de criação. São os rascunhos, os ensaios, as tentativas de elaborar um texto. O exercício de transportar pensamentos, de registrar impressões como se a folha de papel fosse um pedaço de mármore pronto para o cinzel do escultor.
E uma folha de papel amarfanhada nunca mais será a mesma. Por mais que tentemos alisá-la, conservará as marcas, as cicatrizes.
Paralela a essa realidade, constato que somos capazes de amarrotar momentos, tal qual fossem feitos de papel, pela nossa intenção fracassada de criar algo melhor. Imprudentes, jogamos na cesta da vida alguns instantes que ficaram rasurados pela inabilidade de torná-los coerentes.
Tenho, também, conhecimento de sentimentos enrugados, machucados. Sentimentos que sofreram transformações porque foram apertados, esmagados.
Aquele começo que teve fim mais rápido do que o previsível, aquela espera que se estendeu por um tempo mais longo do que o desejado, aquela rejeição, o ciúme desmedido, a inveja sufocante, aquela frustrante tentativa de agradar. Uma lista infindável poderia ser registrada aqui. Usem a imaginação.
É preciso ter fôlego de alpinista e mãos de pluma para apalpar sentimentos sem rasurá-los, machucá-los, amarrotá-los. Pois sentimentos são exatamente iguais a folhas de papel em branco, onde o que registramos fica plasmado para sempre. Impossível desfazer as ranhuras.
Minha cesta continua cheia de papéis amassados e na gaveta da alma guardo alguns sentimentos amarrotados. Em compensação tenho escrito algumas páginas e sentido muito a vida, se não com menos erros, com certeza, com mais acertos.
E uma folha pálida me olha inquieta, enquanto balanço o lápis entre os dedos. Seu futuro é incerto.
Nenhuma folha em branco. Todas escritas. Algumas amassadas.

http://www.marialicestrella.com/

Nota da Redação:
"Quando olhares uma construção, contempla emocionado a obra que nasce, mas não te esqueças de rezar pelos andaimes; foram indispensáveis à obra, serviram-lhe de suporte, mas no fim são levados com o entulho."
© D. Helder

11 Janeiro 2006




ANJOS DISFARÇADOS




Que gente é essa meu Deus, que levanta-se na madrugada, para frente ao computador, escrever, escrever e escrever a outras pessoas que nem sequer conhecem, falando de amor, amizade, ternura, afeto, carinho....

Que gente é essa, que faz e pede preces para pessoas que nunca viram e muito possivelmente jamais verão?

Que gente é essa, que se preocupa com as famílias dessas mesmas pessoas que muitas vezes nem sabem pelo adiantado do problema de saúde, que em vários países do mundo, por longo tempo, alguém ligou-se a um poder mais alto e sublime e pediu por elas....

Que gente é essa, que enfeita as manhãs de tantas pessoas, e de maneira colorida e holográfica deixa mais feliz o coração muitas vezes carente de um afeto...

Que gente é essa, misteriosa, que se esconde atrás de anonimato???

Ah , acho que descobri ! São anjos... que se aparecerem, vamos descobrir que têm asas e foram mandados pelos poderes maiores do Céu, para deixar este mundinho cheio de problemas com faíscas de luz todos os dias...

Ah, essa gente pensa que ninguém sabe quem eles são, mas eu já descobri e vou contar a todos que conheço:

Gente, eles são anjos !!!!!
Disfarçados, mas são e agora todos vão saber que eles receberam como missão, nos fazer felizes.

**Udy**

10 Janeiro 2006




A FELICIDADE PODE DEMORAR




Às vezes as pessoas que amamos nos magoam, e nada podemos fazer senão continuar nossa jornada com nosso coração machucado.

Às vezes nos falta esperança.

Às vezes o amor nos machuca profundamente, e vamos nos recuperando muito lentamente dessa ferida tão dolorosa.

Às vezes perdemos nossa fé, então descobrimos que precisamos acreditar, tanto quanto precisamos respirar... é nossa razão de existir.

Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino.

Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta o nosso coração pela falta de uma única pessoa.

Às vezes a dor nos faz chorar, nos faz sofrer, nos faz querer parar de viver, até que algo toque nosso coração, algo simples como a beleza de um por de sol, a magnitude de uma noite estrelada, a simplicidade de uma brisa batendo em nosso rosto, é a força da natureza nos chamando pra a vida.

Você descobre que as pessoas que pareciam ser sinceras e receberam sua confiança, te traíram sem qualquer piedade.

Você entende que o que para você era amizade, para outros era apenas conveniência, oportunismo.

Você descobre que algumas pessoas nunca te disseram “eu te amo”, e por isso nunca fizeram amor, apenas transaram... descobre também que outras disseram “eu te amo” uma única vez e agora temem dizer novamente, e com razão, mas se o seu sentimento for sincero poderá ajudá-los a reconstruir um coração quebrado..

Assim ao conhecer alguém, preste atenção no caminho que essa pessoa percorreu, são fatores importantes...

Não deixe de acreditar no amor, mas certifique-se de estar entregando seu coração para alguém que dê valor aos mesmos sentimentos que você dá, manifeste suas idéias e planos, para saber se vocês combinam, e certifique-se de que quando estão juntos aquele abraço vale mais que qualquer palavra...

Esteja aberto a algumas alterações, mas jamais abra mão de tudo, pois se essa pessoa te deixar, então nada irá restar.

Aproveite sua família que é uma grande felicidade, quando menos esperamos iniciam-se períodos difíceis em nossas vidas.

Tenha sempre em mente que as vezes tentar salvar um relacionamento, manter um grande amor, pode ter um preço muito alto se esse sentimento não for recíproco, pois em algum outro momento essa pessoa irá te deixar e seu sofrimento será ainda mais intenso, do que teria sido no passado.

Pode ser difícil fazer algumas escolhas, mas muitas vezes isso é necessário, existe uma diferença muito grande entre conhecer o caminho e percorrê-lo.

Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento, esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho.

“A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna”

A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é, que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem...

© Luiz Fernando Veríssimo

(Presente da Aurea Manchini)

09 Janeiro 2006




O ABRAÇO





(...) E é neste pós-hora...
Onde o tempo se derrama e une ao espaço
Que revejo o necessário e perdido abraço.
E sinto que ele me olha... abraço feito vida...
Como se me pedisse para adiar a partida.

E o meu sentir, transparente,
Mostra-lhe o que sinto...
Coração testemunha que não minto...
Até o que procurei esconder de mim no fundo da alma...
Que abri... desvendei... revelei...
Como local de passagem secreta que ao meu anjo dei...

As poesias ... emoções em frágeis e codificados fragmentos...
Risos e lamentos...
Mas sempre incompletas no livro de cada vida...
Mesmo quando pensamos que um fim
é um ponto final...
Surge outro e ainda outro portal.
Interminável ponte.
E o suspiro, ao contemplar o horizonte...
Estreito, pequeno, ínfimo, para um eterno amor...
É todo o outro (lado) que me faz falta...
Saudade do abraço...
Certeza da dor.

Destino de pássaro, tem asas no querer e murmúrios.
E nos meus cabelos, que teimam em voar...e os meus olhos tapar...
Leio horóscopos, desenho mapas, deito cartas...
Plenas do vazio que a tua ausência me ofereceu.
Deixando-me só com meio eu.

Com os dedos, traço a linha dos meus lábios...
Calados... salgados... do teu nome tatuados.
Devagar...
Como se escrevesse a palavra que ficou por dizer.
Dissolvida num instante de indecisão...
Limite entre o sim e o não.

E ao fechar os olhos, desato nós, desfaço laços, solto os braços...
Para o prometido abraço... enlaço.
Como se a tua memória feita imagem
Pudesse viver para além de ti...
Agora... aqui...

E sorrio...
Todo o encontro é perfeito
Quando guardamos tudo o que sentimos nesta dimensão...
Dentro do cálice sagrado, contido no peito.

©Nin@...^^

13/7/2003

http://momentusmomentus.blogspot.com/
http://www.marninamar.hpg.ig.com.br/

08 Janeiro 2006




Uma Gota de Água




Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d`água?

Sim, uma pequena gota d`água se equilibrando na ponta de um frágil raminho...

Com graciosidade a gotícula desafia a lei da gravidade, se balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor.

São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai.

É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo.

Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis.

Um dia, um jornalista que a entrevistava disse-lhe que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d`água no oceano.

E aquela pequena sábia-mulher, lhe respondeu: “sim, meu filho, mas sem essa gota d`água o oceano seria menor.”

Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda.

Pois sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não seria tão bela...

Um aperto de mão, em meio à correria do dia-a-dia...

Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos, para que não caia nas malhas do desespero...

Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo.

Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida.

Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas da ira.

O silêncio, frente à ignorância disfarçada de ciência...

A tolerância com quem perdeu o equilíbrio.

Um olhar de ternura para quem pena na amargura.

Pode-se dizer que tudo isso são apenas gotas d`água que se perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença para quem as recebe.

Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da nossa pequenez conseguimos realizar, a humanidade seria triste e a vida perderia o sentido.

Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a alma...

Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto...

Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando pensamos que o fracasso seria inevitável...

Todas essas são atitudes que embelezam a vida.

E, se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são como gotas d`água no oceano, responda, como madre Tereza de Calcutá, que sem essa gota o oceano de amor seria menor.

E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas de minúsculas partículas.

.................

Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor.

Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor.

Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal seria consideravelmente menor.

E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um pequeno tijolo na construção de um edifício.

Lembre-se da minúscula gota d`água, que delicadamente se equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais romântica, à espera de alguém que a possa contemplar.

E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e frágeis gotas d`água que, com insistência e perseverança conseguem esculpir a mais sólida rocha.

http://www.momento.com.br

07 Janeiro 2006





MARGARIDAS




Hoje colhi para você
algumas margaridas
e fiquei a lembrar
quando um dia
estávamos naquele campo
todo florido
como nos filmes de amor
aqueles com um "The End"
perfeito....
Juntinhos sentados
naquela rua de grama
onde havia
bem na esquina
um pequeno campo
cheio de margaridas...
Você se levantou
e fiquei observando
o modo de você andar
meio gingando
em sua calça jeans
e seu tênis novo
seus cabelos loiros
mexiam-se ao vento
Lembro-me bem....
que no meio do caminho
você virou e me sorriu...
E fiquei a olhar
o meu príncipe
a colher margaridas...
Voltando lentamente
você trouxe algumas na mão
Sentou-se em minha frente
e primeiro
ajeitou meus cabelos longos
de um modo
puramente terno....
E delicadamente o enfeitou
com duas margaridas
Aquela rua de grama
tão vazia
e nos dois naquela pura
fantasia
dos filmes de romance...
Um amor puro
sem máculas
Sentido pelos olhares
desnudos
e por aqueles beijos
molhados
Hoje quando eu passei
vi essas margaridas
trazendo-me aquela lembrança
tão linda e pura
daquele momento
E as colhi com emoção!
Guarda esta poesia
e essas margaridas
hoje, somente hoje
Em seu coração.....


© Mary Fioratti
12/8/2005
3:30p.m.

http://encontrodasaudade.blogspot.com/

06 Janeiro 2006



ESTAÇÕES TROCADAS




® Nin@

Porque não vieste na minha Primavera?
Tinha leitos de rosas amarelas para ti... à tua espera!
Procurei-te tanto e não encontrei a tua luz!
Nas mãos dadas, nas carícias anunciadas, nas palavras sussurradas... nas canções partilhadas...
Que me convenci que no agora nunca estarias...
Que numa posterior vida me esperarias!

Aceitei... pensei que tinha sido a tua opção!
E a quem me queria fui sorrindo, mas dizendo não!
Não se entrega o que não se tem... o coração...
O corpo... partilhei... o ventre frutifiquei...
Mas amar...
Ah, isso não... não amei!

E eis que surges assim do nada trazendo-me tudo o que eu queria...
A cumplicidade, a verdade... a saudade... a realidade que supera a fantasia!
Roteiro seguro de emoção, ternura, loucura, sedução, paixão... lágrimas de alegria...!
E a escuridão iluminou-se... a noite fez-se dia!

Mas... de repente o sorriso arrefeceu... percebeu... que eu já não sou «totalmente eu».
Espelho... espelho meu... em que estação estou eu?
Onde ficou a minha Primavera?
As rosas murcharam na espera...
Num passado que eu vivi a correr na ânsia de gastar este ser...
Só para a ti mais depressa me juntar, te rever!

Afinal... agora reencontro-te... e eu já sou Verão...
E na vida não se recua de estação!
Verei, de longe, o teu florir... o teu jovem seduzir.
E só por te saber feliz... feliz também existir!
Talvez... talvez gostes do Verão...
Talvez prefiras o calor de uma mulher à frescura de uma menina em flor!
Talvez te rias destas barreiras... e para ti conte mais o amor!
Mas isso só os teus olhos o dirão...

**Nin@**
- Lisboa -
24/3/2002

«Hier encore... j'avais vingt ans...»

Je veux et je vais vivre un nouveau Printemps!

****
«Ontem tinha ainda vinte anos...»

Quero e vou viver uma nova primavera!


====================================
Minha amiga Nina, está passando por momentos de fragilidade, os mesmos que todos nós poderemos passar um dia. Portanto peço a você, meu amigo ou minha amiga, independente de qual seja sua crença, reze, ore, torça, faça pensamentos positivos para que nossa irmã saia o mais rapidamente deste momento de intranquilidade.
Agradeço antecipadamente.....
====================================

05 Janeiro 2006



ÂNSIA DE AMAR




Mesmo que seja uma ânsia esperar por ti,
ansiarei.

Mesmo que seja viver na saudade,
aguardarei.

Porque é melhor sentir tua falta
do que nada sentir.

Porque é melhor esperar
do que viver desesperado.

Porque é melhor amar um sonho
do que não tê-lo sonhado.

Porque é melhor amar e não ter,
do que não amar o que se tem.

Porque é melhor te ver um só dia em cada cem
do que não existires em nenhum dos meus dias.

Porque é melhor contar nos dedos as alegrias do
que viver carregando um punhado de tristezas.

Porque são melhores as belezas dos instantes
do que dias constantes sem esperar ninguém.

Porque é melhor viver em ânsias
do que a morte de não ter anseios.

Porque é melhor ter o amor dentro de si
do que de amar e não ter meios.

Porque é melhor saber-se vivo sonhando contigo,
do que viver o castigo de não te sonhar.

**Jairo Martins**

(Enviado pela Cleo Dal Prá)

04 Janeiro 2006




ALÉM DO VIVER




Um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe tinta e pincéis e começou a pintar o barco de um vermelho brilhante, como fora contratado para fazer.
Enquanto pintava, notou que a tinta estava passando pelo fundo do barco.
Procurou e descobriu que a causa do vazamento era um buraco e o consertou.
Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.
No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e lhe entregou um cheque de grande valor.
O pintor ficou surpreso e falou:
O senhor já me pagou pela pintura do barco.
Mas isto não é pelo trabalho de pintura, falou o homem. É por ter consertado o vazamento do barco.
Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar, acrescentou o pintor.
Certamente o senhor não está me pagando uma quantia tão alta por algo tão insignificante!
Meu caro amigo, você não compreendeu, disse o proprietário do barco.
Deixe-me contar-lhe o que aconteceu.
Quando pedi a você que pintasse o barco, esqueci de mencionar o vazamento.
Quando o barco secou, meus filhos o pegaram e saíram para uma pescaria.
Eu não estava em casa naquele momento.
Quando voltei e notei que haviam saído com o barco, fiquei desesperado, pois me lembrei que o barco tinha um furo.
Grandes foram meu alívio e minha alegria quando os vi retornando, sãos e salvos.
Então, examinei o barco e constatei que você o havia consertado. Percebe,
agora, o que fez?
Salvou a vida de meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para pagar-lhe pela sua "pequena" boa ação...

***

Se em nossa ação diária todos nós fizéssemos como aquele pintor, certamente o mundo seria diferente.
Mas, o que geralmente acontece é que fazemos apenas a nossa obrigação, quando a fazemos.
Fazer o que nos compete, com disposição e zelo, é apenas cumprir um dever.
Todavia, se, além do dever, buscássemos fazer o que precisa ser feito, sem que ninguém nos peça, então poderíamos dizer que estamos investindo numa sociedade melhor.
Quem trabalha apenas para receber seu salário, demonstra que vale quanto ganha.
Mas, quem executa suas obrigações e vai além, sem esperar recompensa alguma, está investindo na própria felicidade.
O trabalho dignifica o ser, mas o trabalho feito com amor e dedicação,
enobrece a alma.
Trabalhar por convicção e prazer, e não por obrigação, é a melhor maneira de se sentir bem.
Isso porque, se ninguém elogiar nosso trabalho nem reconhecer nosso esforço, para nós não fará diferença alguma.
A grande satisfação estará calcada unicamente em fazer com excelência o que fazemos. E o salário, nesse caso, será apenas uma conseqüência.

Pense nisso!

Toda a natureza trabalha.
Trabalha o pássaro, trabalha o inseto. Os peixes também trabalham.
Até mesmo o verme executa seu trabalho embaixo do solo.
E o verme executa fielmente a tarefa que o Criador lhe confia, sem reclamar, nem esperar recompensa.
E você, está fazendo a sua parte com fidelidade?

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em história de autoria ignorada.

(Presente da Aurea Manchini)

03 Janeiro 2006




FELIZ OLHAR NOVO



® Carlos Drumond de Andrade



O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.

O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais... mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?

Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.

2005 foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões ...
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas ...
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou ...
Normal.

2006 não vai ser diferente.

Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!

Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...

Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.

O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa prá esse momento (me lembro sempre de uma frase que eu adoro: "CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE".)

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso.

Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.

Desejo para todo mundo esse olhar especial.
2006 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2006 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular...
ou... Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser. E que seja!!!

Feliz Olhar Novo!!!
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"

UM ANO NOVO CHEIO DE MUDANÇAS!

(Presente da Aurea Manchini)

02 Janeiro 2006




DESCULPA-ME




Desculpa-me..
Não devia ter descido... não devia ter-te amado... ter-te querido.
Não devia ter ouvido as batidas do coração que o teu nome ecoava... repetido...
Mas era música que me chamava, me indicava o sentido...
De um tempo a recuperar...outrora inacabado, perdido.

Desculpa-me...
Anjo também vê, olha, sente, recorda e crê.
Crê que amar não pode ser algo errado, nem triste, nem pecado.
De onde eu venho é assim... ama-se. Ama-se! Simplesmente...
Não há barreiras, fronteiras, o amor flui dos olhos docemente.

Desculpa-me...
Não te queria perturbar... nem dividir... somente amar.
As escadas por onde para ti corri... estão aí...
Descer foi fácil... encontrar-te foi o melhor voo de asas que senti...
Subir vai custar... não prometo para trás não olhar...
Talvez me sente um pouco... para a imagem da tua aura em mim guardar.

Desculpa-me...
Eu sou assim... pequenina... aprendiz...
Por instantes os teus murmúrios de amor fizeram-me feliz.
Dancei descalça, comi cerejas, fiz poemas...
Afinal... ofereci-te dilemas... penas... que destoam das tuas asas serenas.

Desculpa-me...
Não pensei desordenar o teu mundo interior...
Afinal... que mal te poderia fazer o meu amor?
Mas anjo aprende a renunciar, a sublimar... e anjo também pode chorar...
São dessas lágrimas que é feito o mar...

Mas se me estenderes a mão e me pedires para ficar...
Só de longe te querer, mesmo sem nunca te ter...
Eu voltarei a dançar... abraçarei o luar...
Porque mais importante do que contigo estar é sentir...
Que almas afins, asas separadas, se voltaram a reunir!

**Nin@ - Lisboa**
31/05/2002





Esta é minha amiga Maria Castro - Nin@




Nin@ é uma amiga portuguesa, professora de Literatura Portuguesa e Francesa, que gosta muito de escrever... tem textos publicados em diversos sites e deu-me a honra de fazer parte de minha página nos idos de 2001. Hoje tem dois lindos endereços que lhes passo como referência para uma visita:

http://www.marninamar.hpg.ig.com.br/
http://momentusmomentus.blogspot.com/

No dizer dela assim se descreve:

« Nascida em Lisboa... cidade encantada, embalada pelo rio Tejo... salpicado de gaivotas...! A influência da alma do fado, marcada pela nostalgia, surge misturada com a alegria de quem se define como « seduzida pela vida ».

O Mar... é a minha paisagem de purificação do olhar... o Amor... é a miragem que eternamente pretendo alcançar... »

Seria necessário se falar algo mais ?




Aos tartufos, sicofantas e carbonários ...



® Arnaldo Jabor


Só nos restam as maldições.
Malditos sejais, ó mentirosos, negadores, defraudadores, trampistas, intrujões, songamongas, chupistas, tartufos, sicofantas, embusteiros, trampolineiros e vigaristas, que a peste negra vos cubra de escaras pútridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente, que vossas patranhas, marandubas, fraudes, carapetas, lérias e aldravices se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, que entrem por vossos rabos, rabiotes e fundilhos e lá depositem venenosos ovos que vos depauperem em diarréias torrenciais e devastadoras. Que vossas línguas se atrofiem em asquerosos sapos e bichos pustulentos que vos impedirão de beijar vossas amantes, prostitutas, barregãs e micheteiras que vos recebem nos lupanares de Brasília, nos prostíbulos mentais onde viveis, refocilando-se nas delícias da roubalheira.
Malditos sejais, ladrões, gatunos, pichelingues, unhantes, ratoneiros, trabuqueiros dos dinheiros públicos, dos quais agadanhais, expropriais cerca de 20 por cento de todos os orçamentos, deixando viadutos no ar, pontes no nada, esgotos a céu aberto e crianças mortas de fome, mortas de tudo, enquanto trombeteais programas populistas inócuos.
Que a maldição de todas as pragas do Egito e do Deuteronômio vos impeça de comer os frutos de vossas fazendas escravistas, que não possais degustar o pão de vossos fornos, nem o milho de vossos campos, e que vossas amantes rancorosas vos traiam e contaminem com as mais escabrosas doenças e repugnantes feridas!
Malditos sejais, carecas sinistros, valérios sem valor, homúnculos dedicados a se infiltrar nas brechas, nas breubas do Estado para malversar, rapinar, larapiar desde pequenas gorjetas como a do Marinho, naquele gesto eternizado na TV, até grandes negociarrões com empresas fantasmas em terrenos baldios!
Malditas sejam as caras de pau dos ladravazes, com seus ascorosos sorrisos frios, imunda honradez ostentada, tranqüilo cinismo, baseado na crapulosa legislação que os protege há quatro séculos, por compradiços juízes, legisperitos fariseus que vendilham sentenças por interesses políticos, ocultados por intrincados circunlóquios jurídicos, solenes lero-leros para compadrios e favores aos poderosos; que vossas togas se virem em abutres famintos que vos devorem o fígado, acelerando vossas mortes que virão pelo tédio e por vossa ridícula sisudez esclerosada com que justificais repulsivas liminares e chicanas, que liberam vagabundos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões!
Malditos sejais, falsos revolucionários, medíocres carbonários agarrados em utopias velhas de um século, ignorantes que disfarçam a própria estupidez em ideologia, para os fins mais asnáticos, através de meios estapafúrdios; malditos sejam os 25 mil canalhas infiltrados pelos bolchevistas-dirceuzistas-genoínicos na máquina pública, emperrando-a e sugando migalhas do Estado com voracidade e gula!
Tomara que sejais devorados pelos carunchos que rastejam nos arquivos empoeirados da burocracia que impede o país de andar! Que a poeira dos arquivos mortos vos sufoque e envenene como o trigo roxo dos ratos!
Malditas sejam também as “consciências virginais”, as mentes “puras” que se escandalizam com os horrores, mas nada fazem; malditos os alienados e covardes, malditos os limpos, os não-culpados, os indiferentes, que se acham superiores aos que sofrem e pecam; malditos intelectuais silenciosos que ficam agarrados em seus dogmas e que preparam a espúria reeleição dessa gente e a chegada posterior dos populistas e falsos evangélicos mais sórdidos do país!
Malditos sejam também os governistas que ousam negar o mensalão, malditos sejam os técnicos despudorados que ostentam uma “seriedade” lógica e contábil nos fundos de pensão e em estatais, de onde jorrou o grosso do dinheiro do valerioduto, tão bem ilustrado pelo jato de água e lama na fazenda do Delúbio, com sua cara destabocada e de maus dentes! Malditas sejam as metáforas que escorrem dos bolsos do Lula como pequenas lesmas, gordas sanguessugas, carrapatos infectos. Que essas metáforas lhe carcomam o corpo e que seus bonés, barretes, toucas e gorros de Papai Noel demagógico lhe atazanem o crânio até ele confessar que sabia de tudo, sim! Que sua cara denuncie tudo o que ele é, desde a vermelhidão crescente de suas bochechas até as sobrancelhas de diabo que traem o sorriso populista para enganar os mais pobres!
Malditos os que querem desfazer a única coisa que segurou o Brasil nesses três anos: a “herança bendita” da economia; malditos os que desejam destruí-la para trazer de volta a inflação e a irresponsabilidade fiscal, malditos anjos da cara suja, malditos olhinhos vorazes, malditos espertos fugitivos da cassação, anatematizados e desgraçados sejam os que levam dólares na cueca e, mais que eles, os que levam dólares às Bahamas, malditos os que usam o “amor ao povo” para justificar suas ambições fracassadas, malditos severinos que rondam ainda, malditos waldomiros e waldemares que rondam ainda, malditos dirceus, arroz-de-festa de intelectuais mal informados, malditos sejam, pois neles há o desejo de fazer regredir o Brasil para o velho Atraso pustulento, em nome de suas doenças mentais infantis!
Se eles prevalecerem, voltará o dragão da Inflação, com sete cabeças e dez chifres e sete coroas em cada cabeça, e a prostituta do Atraso virá montada nele, berrando todas as blasfêmias, vestida de vermelho, segurando uma taça cheia de abominações, suas fornicações e ela, a besta do Atraso, estará bêbada com o sangue dos pobres e em sua testa estará escrito: Mãe de todas as meretrizes e Mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país.
Só nos resta isso: maldizer.
Portanto: que a peste negra vos devore a alma, políticos canalhas, que vossos cabelos com brilhantina vos cubram de uma gosma repulsiva, que vossas gravatas bregas vos enforquem, que os arcanjos de 2006 vos exterminem para sempre!
Feliz ano novo!

(Presente da Cleo)

01 Janeiro 2006




E Já é Ano Novo, Outra Vez




Quando chega, é sempre pleno de esperanças. Espera-se o ano novo para começar vida nova, para estabelecer novas metas de vida, propósitos renovados para tantas coisas...

É comum as pessoas elaborarem suas listas de bons propósitos para o novo ano.

Mesmo sabendo que o tempo somente existe em função dos movimentos estabelecidos pelo planeta em que nos encontramos, é interessante essa movimentação individual, toda vez que o novo período convencional de um ano reinicia.

Mas, falando de lista de bons propósitos, já se deu conta que quase sempre esquecemos o que listamos?

Alguns até esquecemos onde guardamos a tal lista, o que atesta da pouca disposição em perseguir os itens elencados.

Ano novo deve ter um significado especial.

Embora o tempo seja sempre o mesmo, essa convenção se reveste de importância na medida em que, nos condicionando ao início de uma etapa diferente, renovada, sintamo-nos emulados a uma renovação.

Renovação de hábitos, de atitudes, como estar mais com a família, reorganizando as horas do trabalho profissional.

Importar-se mais com os filhos, lembrando-se de não somente indagar se já fez a lição, mas participar, olhando, lendo as observações feitas pelos professores nos cadernos, interessando-se pelos conteúdos disciplinares.

Sair mais com as crianças. Não somente para passeios como a praia, a viagem de férias. Mas, no dia a dia, um momento para um lanche e uma conversa, uma saída para deliciar-se com um sorvete.

Outros para só ficar olhando a carinha lambuzada de chocolate, literalmente afundando-se na taça de sorvete.

Outros mais longos para acompanhar o passo vacilante de quem está aprendendo a andar.

Uma tarde para um papo com os que já estão preparando a mochila para se retirar do cenário desta vida, quem sabe, nos próximos meses?

Isto é viver ano novo. Sair com amigos, abraçar amigos, sorrir pelo simples prazer de sorrir.

Trocar e-mails afetuosos, não somente os corriqueiros que envolvam decisões e finanças. Usar o telefone para dar um olá, desejar boa viagem, feliz aniversário!

Bom, você também pode fazer propósitos de comer menos doces ou diminuir os carboidratos da sua dieta, visando melhor condição de vida ou simplesmente adequar seu peso.

Também pode pensar em mudar o visual. Quem sabe modificar o corte de cabelo, tentar pentear para outro lado, fazer uma visita ao dentista.

E é claro, um bom check-up, porque cuidar da saúde é essencial.

Bom mesmo é não esquecer de formular propósitos para sua alma.

Assim, acrescente na lista: estudar mais, ler mais, entender mais o outro, devotar-se a um trabalho voluntário, servir a alguém com alegria e bom ânimo.

Com certeza cada um terá outros muitos itens a serem acrescentados à lista.

Até mesmo coisas simples como alterar os roteiros de idas e vindas do trabalho-lar-escola.

Ou coisas mais complicadas, como dispor-se a pensar um pouco no outro e não exclusivamente em si, no relacionamento a dois.

Imprescindível, no entanto, é que você coloque a lista à vista, para olhar muitas vezes, durante todo o novo ano.

Importante que se lembre de lê-la, para ir acompanhando o que já conseguiu e onde ou em que ainda precisa investir mais, insistindo, até a vitória.

Seja este ano novo o ano de concretas realizações na sua vida!

http://www.momento.com.br


"O novo não está nas coisas. Está na maneira como você olha para elas."
Lowe Lintas & Partners