
do livro “Doença de Alzheimer - Vivências e Cuidados de Lilian Alicke
Junto com meu testamento, no qual lego a meus filhos e amigos a minha vontade de viver e meu amor a Deus e a toda a criação, faço um pedido: se, por ventura, no meu cérebro a senilidade penetrar sorrateiramente, a demência se infiltrar inesperadamente e o esquecimento, a falta de lucidez e a confusão se intalarem, por favor, lembrem que:
. eventualmente, ainda tenho uma vaga idéia de minha identidade;
. gosto de ser chamada pelo meu nome, aquele que meus pais me deram;
. posso ainda saber onde estou e com quem estou;
. posso estar gostando ou não de onde estou e com quem estou;
. faço ainda questão de usar aquele tipo de sapato que toda a minha vida usei;
. gosto ainda de usar a roupa ao estilo que sempre preferi;
. a roupa dos outros colocada em mim me entristece;
. a falta de atenção em me ajudar na higiene pessoal me traz ansiedade;
. a comida de um estilo que não conheço não me apetece;
. as fraldas que vez em quando me incomodam e me deixam envergonhada;
. gostaria, às vezes, de caminhar para espairecer e ver a natureza;
. receber uma palavrinha me faz lembrar que sou gente;
. receber visitas me diz que ainda pertence;
. receber um abraço e um beijo me diz que alguém ainda tem afeto por mim;
. a falta de sono não é proposital, nem intencional;
. a falta de interesse está além do meu controle;
. minha falta de jeito é inexplicável para mim mesma;
. o esquecimento me deixa traumatizada;
. tenho dores que às vezes não posso contar;
. nem sempre o que me fazem fazer é o que eu gostaria de estar fazendo;
. meu olhar vago não reflete o que sinto;
. e se não dou um abraço é porque os meus braços não me obedecem mais;
. se não dou um beijo é porque meus lábios não sabem mais o que fazer;
. se não te digo que valorizo sua dedicação e seu amor é porque a ponte se partiu e perdi o caminho que me levaria a compartilhar meus sentimentos com você.
UM SER HUMANO QUE ENVELHECE …
Nota:
O Mal de Alzheimer, ou Doença de Alzheimer ou simplesmente Alzheimer é a forma mais comum de demência. Esta doença degenerativa, até o momento incurável e terminal foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. Esta doença afeta geralmente pessoas acima dos 65 anos, embora o seu diagnóstico seja possível também em pessoas mais novas do que esta idade.
Cada paciente de Alzheimer sofre a doença de forma única mas existem pontos em comum, por exemplo o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Muitas vezes os primeiros sintomas são confundidos com problemas de idade ou de stress. Quando é suspeitado Alzheimer o paciente é submetido a uma série de testes cognitivos. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade. As suas funções motoras começam a perder-se e o paciente acaba por morrer. Antes de se tornar totalmente aparente o Alzheimer vai-se desenvolvendo por um período indeterminado de tempo e pode manter-se invisível durante anos.
(Enviado pela Bethy-SP)
























14 comentários:
Nossa! Minha vó é portadora do Mal de Alzheimer há alguns anos. Seu texto me emocionou tanto, que até chorei. Tenho algum conhecimento sobre o assunto, pois no momento que descobri essa doença, minha vida foi pesquisar. Busquei respostas às minhas perguntas, alento à minha dor. Sempre tive um relacionamento maravilhoso com a minha avó, e falo com a maior tranqüilidade que ela é o grande amor da minha vida, pois sempre fomos muito unidas. Amigas e confidentes, sabe?
Hoje ela não sabe mais quem eu sou. Me chama de moça bonita. Fico muito triste quando a vejo, pois a mulher forte que ela foi um dia, está longe da mulher que ela se tornou por conta da doença.
Ai amigo, lindo o texto que você postou. Triste, mas verdadeiro.
Beijo grande
Elida
Tão real e intensamente triste!
Acho que um dia sofrerei desse mal, apesar de ng da família ter tido, qd leio matérias a respeito me dá uma imensa tristeza
Um bom dia e obrigada
Gena
Verdades para tener en cuenta, nos puede pasar a nosotros o a nuestros seres queridos, es una tristísima enfermedad.
Boa semana!
Realmente é uma doença terrível, causadora da morte dos neurônios, e como consequência a perda do raciocínio, memória e capacidade motora. Em recentes pesquisas, cientistas europeus descobriram tres genes que ajudam a proteger o cérebro, contudo na doença eles passam a atacá-lo como inimigo. Uma grande descoberta considerando que na atual situação da doença, ainda sem cura, a previsão da OMS para 2050, pode chegar a 100 milhões de pessoas portadoras. Porisso se aconselha às pessoas da melhor idade, exercitarem bastante a mente, com leituras, escritas, palavras cruzadas, jogos de raciocínio, caminhadas ou atividades físicas leves e uma alimentação saudável, o mais natural possível. Embora a doença tenha fator hereditário, uma boa qualidade de vida previne e/ou retarda o aparecimento de transtornos limitativos, como é o caso do Alzheimer. Que a boa saúde seja a nossa grande meta, pois com ela tudo o mais se acrescenta! Abreijos, guida
Zé Carlos,
triste e emocionante o post. Recentemente li Para Sempre Alice, é sobre o Mal de Alzheimer também, recomendo para quem tem um caso na família.
Beijos, atualizei!
Sejam idosos ou crianças, não há nada pior do que ser ou estar indefeso, à mercê de alguém para ser cuidado e não receber quase nada. Muito triste isso.
Beijão meu querido, boa semana!
Amigo querido,
tenho amigos com esta enfermidade. Ler este texto emocionou-me. Muito bom você nos trazer este texto de conscientização da doença e um apelo a nossa sensibilidade.
Linda semana e carinhoso beijo, amigo.
Amigo Zé Carlos... Eu cuido de minha mãe há exatamente 10 anos, ela não tem Alzheimer, mas esclerose cerebral... é uma doença muito parecida com Alzheimer. A mamãe também apresenta diversos sintomas, muito parecidos com essa doença... foi devido a várias isquemias cerebrais e um derrame superficial que a deixaram completamente incapacitada para se cuidar sózinha. É muito triste ver que a cada dia que passa, a sua memória se torna mais fraca. Eu agradeço pela publicação, pois sempre é bom termos mais conhecimentos acerca de doenças degenerativas.
Um abraço, Valrita
esse , Mal de Alzheimer, é uma que tenho medo sincero, mas há ainda a literatura
Tenho medo também,podia ñ existir.
Uma linda noite...
Bjs
Olhando a chuva
Cleide Canton
Chegou escurecendo os céus,
balançando as folhagens,
levantando a poeira
e as folhas secas do chão.
Chegou proferindo o sermão:
Acorde! Bradou o trovão.
Esconda-se! Continuou o raio.
Esteja atento! Gritou o vento.
Chegou tamborilando na vidraça
com furiosa audácia,
tiritando no telhado
que, ressequido, disse: Obrigado!
Limpou o marrom dos capins
e devolveu às flores a cor natural.
Deitou-se sobre os rios e mares
para um coito temporal.
Visitou os lugares escolhidos.
Os outros sentiram-se ofendidos.
Como veio, partiu...
E tudo voltou ao normal.
Brilhou o sol, afinal!
Vieste também, como a chuva,
gritando os teus desejos,
exigindo atenção,
revolvendo a poeira
do meu coração.
Chegaste de improviso,
brincando na janela do meu olhar
que se escancarou para te amar.
Limpaste toda a sujeira
dos meus sonhos cansados
e, com beijos ousados
tingiste o sépia do meu caminhar.
As flores do meu sorriso
voltaram a brilhar.
Enquanto "dois", éramos a beleza.
Ser "um" nos trouxe tristeza.
Então te foste...
Que importa!
O sol brilha
e está aberta a minha porta.
Um texto bastante reflexivo!
Texto para ler, reler, reler...
Beijinhos no seu coração.
Minha maezinha,aos 81,as vezes me pergunta se ainda está falando coisa com coisa.Graças a Deus ela não para, ginástica, hidroginástica, a horta,os passarinhos, o cachorro, os filhos,como é bom tê-la saudável nesta idade.Obrigada,Zé!!!!
Boa noite.
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