Os franceses sabem das coisas. Olhem o aviso na parede da brasserie (cervejaria): para tranquilidade da nossa clientela, pedimos aos portadores de telefones celulares, que não os utilizem à mesa.

(Presente de Glória Perez - http://gloriafperez.blogspot.com/)

























6 comentários:
Meus ouvidos agradecem também. Voce já ouviu aqueles toques berrantes? Alguns são até engraçados, mas outros, é falta de respeito ao próximo deixar um toque daqueles.
Muito chique voce hein? Postagem recebida por Gloria Perez!
Esse menino vai longe!.. rsrsrsrs
Parabéns querido.
Amigo querido,
eu raramente utilizo celular. E muitas vezes , confesso, me causam uma grande irritação rsrs.
Carinhoso beijo
Ora nem mais, uma coisa que todos deviamos fazer! :)
Beijinho*
Ola querido amigo Zé Carlos, bem, neste mundo vese cada coisa, enfim+.+
-peço desculpas pela minha ausência!
Beijo grande
QUANDO OS AMANTES DORMEM...
Quando as pessoas se amam e querem se amar, selam um pacto: dormir juntos.
E quando se fala em "dormir juntos" o sentido é duplo: Significa primeiro amar acordado em plena vigília da carne, mas, depois, na lassidão do pós-gozo, à deriva, dormindo talvez.
Na verdade, os amantes, quando são amantes mesmo, mesmo enquanto dormem se amam.
..................................
E penso. É um projeto de vida, dormir juntos, continuadamente.
A mesma ambiguidade: dormir/amar juntos, dormir/acordar juntos, ou então, dormir/morrer de amor juntos.
Deve ser por causa disto que os franceses chamam o orgasmo de "pequena morte".
..................................
Amor: um projeto de vida, um projeto de morte.
Se numa noite dessas o vento da insônia soprar em suas frestas, repare no corpo dormindo despojado ao seu lado.
..................................
Pode ser banal, mas é isto: amar é ser o guardião do sonho alheio.
Os surrealistas diziam: o poeta enquanto dorme trabalha. Pois os amantes enquanto dormem, se amam.
Se amam inconscientemente, quando seus desejos enlaçam raízes e seivas. O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca o corpo alheio e, dormindo, se abraçam animados. Quando isso ocorre, pode ter vários significados.
Talvez um tenha lançado um apelo silencioso ao outro:
"Ajude-me a atravessar esse sonho", ou: "Venha, sonhe esse sonho comigo", é bonito demais". E o outro, às vezes sem se mexer, parte em seu socorro.
É que certos sonhos, sobretudo os de quem ama, não cabem num só corpo. Transbordam os poros da noite e pedem cumplicidade.
E se há um pesadelo, aí um se agarra ao tronco do outro na crispação do instante, e o corpo do parceiro é bóia na escuridão.
Por isto, no ritual do casamento, quando o sacerdote indaga se os que se amam sabem que terão que se socorrer na saúde e na doença, na opulência e na miséria etc, deveria se inserir um tópico a mais e advertir: ...Amar é ser cúmplice do sonho alheio.
Sim, porque passamos a metade da vida dormindo ao lado do outro.
Há pessoas que vivem 25 anos - bodas de prata,
50 anos - bodas de ouro,
75 anos -bodas de diamante; ao lado do outro, e não sabem com que o outro sonha.
E há quem passe uma tarde, uma noite ou uma temporada ao lado de um corpo e sabe seus sonhos para sempre.
Engana-se quem escuta o silêncio no quarto dos que amam.
Estranhos rumores percorre o sono alheio. Não é o rugir do tigre pelas brenhas. Não é o bater das ondas na enseada. Nem os pássaros perfurando a madrugada...
São os sonhos dos amantes em plena elaboração. E se numa noite dessas o vento da insônia de novo soprar em suas frestas, olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo os amorosos.
Quando se compra um apartamento novo, nas alturas, alguns compram lunetas e ficam vasculhando a vida alheia. Mas para ouvir o ruído dos sonhos basta abrir os ouvidos na escuridão.Os sonhos pulsam na madrugada.
Era uma vez um chinês que toda vez que sonhava com sua amada acordava perfumado. Deve ser por isso que, ainda hoje, o quarto dos amantes amanhece com um perfume de almíscar, lavanda e alfazema. E é comum achar troféus dos sonhos ao pé da cama de quem ama. Quando se abre a pálpebra do dia, aí pode-se ver um unicórnio de ouro e uma coroa de rubis.
À noite os sonhos dos amantes se cristalizam e de dias se liguefazem em beijos e lágrimas. Quem ama diz boa-noite como quem abre/fecha a porta de um jardim.
Não apenas como quem vigia, mas como quem vai para a colheita. Quando se ama, acontece de um habitar o sonho do outro, e fecundá-lo.
Affonso Romano de Sant Anna
Muito interessante essa observação dos franceses. Como todas as comodidades do mundo moderno, o celular se torna bastante util, se utilizado com bom senso, para que não se torne invasivo ou incomodativo em determinadas situações.
Quanto ao texto de Sant Anna, gostei demais, principalmente o fecho de ouro! Um anônimo de muito bom gosto. Abreijos, guida
Postar um comentário