POEMA DE AMOR
**Bruno Kampel**
Sempre soube terminar os poemas
que falam de saudade, de amores
finitos, mas nunca começá-los,
pois o início tem gosto de ausência,
tem cheiro de perda, tem peso de outrora.
Amores passados, perdidos, partidos,
apenas convidam ao silêncio,
e a confissão, e a solidão, florescem
implacáveis na ponta da língua,
como brados, como adagas,
e então, ao pretender o afago,
apenas desenho um lamento profundo,
e ao tentar esquecer o inesquecível
implanto as lembranças na retina da memória,
que dói como se fosse o dia da partida
e não a hora das reminiscências.
Mas, sim: aprendi a dizer
que não te esqueço; que o eco dos teus pés
- que já foram o meu chão - retumba
a cada passo que caminho
nesta doce amargura escandinava,
escondido entre loiríssimos cabelos
e branquíssimas mentiras.
Revejo os instantes
e vejo que o tempo, a destempo,
ensina a dizer que te amo,
que te lembro quando é tarde,
quando a noite do tempo deitou-se
para sempre entre nós, como água
sem barco, como margens sem rio
como um dia sem horas.
Difícil começar a dizer
da saudade que sofro,
da angústia que vivo,
da dor que me ataca,
da culpa que sinto,
que não é vã, mas justa:
mea culpa, mea máxima culpa.
E os minutos, esses que teimam
em ficar horas a lembrar-te;
e as horas, que ficam dias teimando
em reviver os instantes que não voltam,
apenas desamarram as palavras
que impunes e sem medo
se escrevem letra a letra
lapidando um pedido de socorro,
rabiscando um retorno ao passado,
esculpindo um desejo de futuro,
conquistando uma chance de ventura.
Sim, não nego:
quis construir uma ponte de amor,
um dizer de saudade,
um grito de esperança,
um pedido de clemência.
Nem mais, nem menos,
nem muito ou pouco,
nem tarde ou nunca:
um tudo ou nada.
Sim,
um poema de amor
manchado de saudade,
pintado em cor remorso,
é o que tento iniciar
e não consigo,
pois dizendo que sim,
que te amo
e não te esqueço,
não começo, mas termino.
E isso faço, começo terminando
com um resto de esperança,
que é o fim de todos os princípios,
e repito, como um disco,
que te amo, que te amo,
e que deixar-te foi tão duro
como te saber distante.
E termino começando,
pronunciando o teu nome,
o que até agora apenas me atrevia:
vivendo de amor, e não morrendo,
suando de ternura e não de angústia
gritando de esperança e não de raiva,
é como digo que te amo,
meu Brasil nunca esquecido.
©Bruno Kampel, Suécia
http://kampel.com/poetika/poemamor.htm

























9 comentários:
MEU JEITO
Esse meu jeito...
Que não sabe direito...
O que de mim é feito...
O certo e o incerto...
Que busca diretrizes...
Raízes...
Matizes...
Eu e você... Vozes...
Que ficam divididas...
Sacudidas...
Doídas... Doidas
Ensandecidas...
Ah! Esse meu jeito.
Afeto... Desafeto...
Agora desfeito...
De tudo que foi feito...
Ah! Esse ar rarefeito.
Onde o que inspiro...
Não me inspira... Conspira...
Ah! Essa pira... Ira!
Mira...
Desarmonia...
Silencia... Sentencia...
Desacelera a alquimia...
Pura magia...
Que do dia se fez breu...
Moradia... Mordida...
Manhã arredia...
Daquela fotografia...
Da memória...
Dedicatória... Sem história...
Sem glória... Vitória...
Pois tudo agora...
Foi embora...
(CARMEN CECILIA)
Os poemas estão lindos, com uma franqueza que toca a alma...
Oi Zé,
Lembro deste poema, em uma outra postagem.
Uma bela declaração de amor à nossa terrinha.
Beijão meu querido
Boa Noite Zé,
A coisa tá complicada pro meu lado!...
Acho esta poesia muito bela e bem escrita, uma linda homenagem ao nosso amado e idolatrado salve, salve Brasil!
Belas Fotos: AS DUAS!
Beijos mil... Para Você e para o meu Brasil!
Rita
Brasil, terra amada, sempre. Não tem lugar melhor q este.
Bom domingo.
Bjs.
Amores perdidos, amores passados...se eu começar a recordar vou chorar....
beijosssssss
Uma boa semana para você amigo
Bom dia, ZC!
Um belo poema. Sempre excelentes partilhas, amigo.
Beijos
Essa dificuldade de começar algo que dói é compreensivel!
Acho que o mais fácil é escrever o desenrolar, pq o final é sempre
triste!!
Lindo!
Beijos
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